sábado, 31 de janeiro de 2026

Resgatei minhas raízes na Marinha

Tenho conhecimento de mais de 450 anos, de marinheiros, nas minhas duas famílias. Avelar & Medeiros!

Rival e Adamastor da Família

Povo cruzando o canal entre a ilha do Pico e do Faial


Eu e meu avô, quebramos essa tradição. 
Camionete (Ônibus) de meu avô desembarcando no porto de Areia Larga-Madalena-Pico


Meu tio/padrinho Vitor Medeiros, foi Capitão faroleiro do farol da Ponta dos Rosais, que faz parte da Otan, na ilha de São Jorge, no arquipélago dos Açores.



Em meados de 1996, Ricardo Carneiro, meu dentista e amigo, convidou-me para ir com ele na Ilha das Cobras no Corpo de Fuzileiros Navais, onde era Capitão de fragata, dentista.


Ao chegar às 6h, Ricardo foi colocar o jaleco branco e atender os pacientes enquanto eu ficava vagando pelas dependências e fazendo amizades com a turma. 


Almoçávamos sempre na Praça de Armas, onde não podia faltar a famosa jacuba, uma garrafinha de limonada no centro da mesa. Uma tradição da Marinha portuguesa e brasileira segundo comandante Quintão (RIP) historiador falecido do CFN e responsável pelo museu situado nos túneis de munição e sítios arqueológicos que lá existem.


Talvez na segunda vez, saí sozinho do almoço dirigindo-me ao prédio histórico para ver as pinturas fantásticas da entrada, quando de repente, escuto uma voz atrás de mim perguntando se eu era o David Avelar. 

Olhei para trás e percebi que a patente era alta. A figura, um pouco autoritária, era do comandante dos Fuzileiros Navais, na época, Capitão Mar e guerra Amin, debaixo do seu bigode.


Ele, com ar autoritário, falou - me acompanhe! E saiu marchando na minha frente e eu atrás pensando o que é que eu tinha feito de errado pela atitude inquisidora dele. 


Fomos direto ao gabinete quando, depois de uma pequena conversa sobre as minhas origens, ele pediu a um dos garçons que trouxesse uma bebida amarelada e deu-me para provar. Conhecia bem! Meu avô fabricava. Era um licor adocicado chamado Angelíca, mais para senhoras, feito de uvas, adocicado.

Eu expliquei a ele que conhecia e ele regozijou-se, dizendo para o imediato Alexandre que estava sentado do lado dele. - Viu Alexandre, valeu a pena passar na Ilha do Rio Grande e pegar lá com os *"açorianos" essa bebida. Aí me explicou que durante manobras de guerra com a Argentina ele tinha pedido a uma fragata para pegar umas caixas na ilha. Aqui no Brasil ela tinha o nome de Jurupinga. 

*A ilha de Rio Grande no Estado do Rio Grande do Sul abriga uma quantidade considerável de descendentes das 47 famílias originais que Dom Pedro mandou vir dos Açores para povoar os estados do Sul.


Fizemos amizade, tiramos fotografias.


Alguns dias depois, coincidentemente, ele me chama no gabinete e diz que vai ter uma apresentação para o ministro da guerra da Itália, que vai almoçar com o presidente Fernando Henrique Cardoso na ilha de Villegagnon, na Baía da Guanabara. Vão jantar e vem para assistir a um show preparado especialmente para ele, com a banda dos Fuzileiros Navais.


Com a praticidade já tinha, chamado o maestro e comandante Da Costa, famoso por ser o primeiro regente da banda, para discutir nos detalhes. 


Ficou convencionado que, a parte cenográfica teria como ser;  O palco bem em frente à escadaria na saída do prédio histórico; Em frente ao palco mais de 100 cadeiras estofadas para autoridades. E atrás, uma arquibancada camuflada, encostada a amurada para, onde nós podíamos ficar debaixo dela, sem sermos vistos, comandando som e luz. 


Agora faltava discutir o repertório musical. É claro que a gente tinha que, ao mesmo tempo puxar a brasa para nossa sardinha com Carlos Gomes "Alvorada de um escravo", Cisne Branco, homenagear a Itália com O sole mio, cantado pelo tenor Samuel que tocava bumbo na banda.

E o final?

 Ah, o final! 

Depois de alguma discussão decidimos colocar como gran finale, a Abertura Solene "1812" (Op. 49), composta por Piotr Ilitch Tchaikovsky.  Nesse momento foi quando eu, timidamente, perguntei a ele como é que seria a parte final da invasão de Moscou com canhões. Ele prontamente falou. - Pode deixar que eu vou mandar buscar uma bateria de 5 canhões.de 105 mm, lá no regimento Sampaio. Eu já comecei a ficar preocupado. 


Treinarmos durante algum tempo. Tudo acertado! Vamos aos ensaios finais, 5 dias antes do evento quando chegaram a bateria de canhões de 105 mm. 


Ele mandou colocar na mesma posição dos canhões de 1860 que orlam amurada original da Fortaleza de São José da Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro, que teve sua primeira fortificação (Santa Margarida) erguida em 1624 para defesa contra invasões holandesas


 Isso significava que os canhões iriam atirar exatamente em cima dos armazéns de manutenção do Arsenal de Marinha  que eram todos envidraçados. E outro motivo também. Virados para a ilha de Villegagnon.


No ensaio geral já com dois maestros, um só para comando dos canhoneiros, correu tudo maravilhosamente bem, até o momento que os canhões começaram a disparar e eu, que estava debaixo da arquibancada bem pertinho deles, comecei a perceber barulho de vidro quebrado, quando olhei para baixo, os vidros do Arsenal estavam a quebrar, caindo em cima dos carros estacionados. Chamei o comandante falei. -Olhe para baixo. Ele olhou e falou. - Está mesmo tudo quebrado mesmo. Pode tacar fogo.


No segundo ensaio geral percebemos que tínhamos um problema. Onde colocar o clarim da abertura de Alvorada de um Escravo de Carlos Gomes que abria a segunda parte do espetáculo. 

Alguém sugeriu que o sargento ficasse no alto da torre junto ao maravilhoso Pavilhão Nacional de 6 m por 12, sobre uma torre de metal de 15 m, situada acima do comando naval de entrada da Bahia da Guanabara,  que já estava iluminado com quatro canhões de luz de 1000 watts colocados por nós. O sargento meio relutante concordou e ficou combinado que antes do espetáculo ser iniciado, ou seja, antes do primeiro tempo ele já deveria subir,  municiado de fones de ouvido com intercomunicação, roupa, porque lá em cima faz frio e cinto de segurança,  por motivos de segurança porque a torre não é lá muito nova e ficar lá em cima aguardando a sua performance. 


No dia do evento tudo preparado as autoridades começaram a chegar. Foram recebidas pelo Almirante Pontes, que os levou para conhecer as dependências internas do prédio histórico. Um pequeno coquetel no segundo andar e em seguida voltaram para sentar  nas cadeiras.


Acabou o primeiro ato. Vai começa a segunda parte. Escurecemos tudo. A orquestra deu o primeiro acorde e nisso entra o clarim, introito do alvorecer do novo dia, na visão de Carlos Gomes. Entramos de uma vez com as luzes e o sargento levou um susto e ele chegou a atravessar a pauta e acho tinha caído se não tivesse com cinto de segurança. 


Não precisa dizer que nós levamos uma bronca quando ele chegou  cá embaixo. 

Foi cômico se não fosse trágico para o sargento. 

Foi um sucesso total. 

Repercutiu! 

Um almoço entre Ricardo Carneiro comandante Amin e o imediato Alexandre onde eu ganhei esta placa. 

Imediato Capitão de fragata FN Alexandre, David Avelar, Comandante mar de guerra FN Amim, Capitão de fragata FN Ricardo


Com a transferência de comando do COMGER para o Almirante Carlos, a pedido dêle, preparamos o espetáculo chamado Parada Noturna ou Parada Militar Noturna, que apresentamos neste vídeo.

Clique e veja https://youtu.be/yDJ5uS07eTA

Nos apresentarmos em diversos lugares https://youtu.be/yDJ5uS07eT inclusive no CIASC, na Ilha do Governador, porém de dia. Esse espetáculo foi exibido em Edimburgo, Escócia.

Fotos: Marcos Hermes

Veja mais 

https://youtu.be/6GhOqe2AHbY?si=TYUzEQi_0XfCbpm2

Ainda fizemos uma decoração de Natal lindíssima aproveitando as árvores na frente do prédio histórico cobrindo-as com luzes de Natal com ajuda dos praças, pois o que não faltava era a mão de obra, para enrolar luzes nas árvores. 

Ajudarmos a escolher as cores ocre coloniais para os prédios da Cepol e do Prédio histórico e dos dois anexos. 

Estudos com base histórica para resgate das cores originais.

Criamos uma iluminação específica espelhada no nosso querido mestre Ney Matogrosso que foi um dos responsáveis pela iluminação do centro Geográfico da Marinha na Praça 15 e também do palácio Oswaldo Cruz como funciona a Fiocruz. 

Produzimos a parte técnica de Som e Luz do "Dia do Marinheiro" no Iate Clube do Rio de Janeiro.


Sonorizamos a apresentação da Orquestra dos Fuzileiros Navais sob a regência do Maestro comandante Da Costa no Teatro Municipal.


A banda de Corpo de Fuzileiros Navais, sempre foi inspiração para nós adolescentes que tocávamos nas bandas marciais dos colégios de Petrópolis, sendo que o destaque ia para o colégio Washington Luiz que, inclusive se trajava com o uniforme do CFN.

Veja esta apresentação Clique abaixo

https://www.youtube.com/watch

Com tudo isso fui agraciado com a medalha "Amigo da Marinha", entregue pelo comandante Mose, que muito me honra e que resgata essa vocação de estar "sempre ao mar". 


Adsumus


Deixo aqui o poema de Fernando Pessoa, para quem não conhece, sobre o mar. Houve uma época que havia um ditado que dizia que nas veias dos portugueses não corria sangue, mas sim, água salgada. 


Mar português 

Fernando Pessoa 


Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!

Por te cruzarmos, quantas mães choraram,

Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!


Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Mais fotos







sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Tradicional Festa de Santo Antônio muda de lugar

A tradicional Festa de Santo Antônio em Nova Iguaçu, padroeiro da cidade, ocorria anualmente ao redor da Catedral de Santo Antônio de Jacutinga (Av. Marechal Floriano) e, nos últimos anos, estende-se com barracas e shows principalmente para a Av. Governador Amaral Peixoto e Tv. Mariano de Moura, no Centro. O evento atrai milhares de pessoas em junho (próximo ao dia 13/06). 
  • Localização: A celebração religiosa foca na Catedral (Av. Marechal Floriano, 2265), enquanto as barraquinhas de comidas típicas, artesanato e atrações musicais acontecem na Av. Governador Amaral Peixoto, Travessa Mariano de Moura e áreas adjacentes.
  • Data: A festa é realizada no mês de junho, com destaque para a Trezena (31/05 a 12/06) e o Dia de Santo Antônio (13/06). Em 2025, os festejos populares ocorreram entre 11 e 14 de junho, das 9h às 23h.
  • Atrações: O evento, apelidado de "Festa do Vai e Vem", oferece shows de música local (samba, forró, MPB), a tradicional procissão do padroeiro e vasta gastronomia, incluindo o famoso bolo de Santo Antônio e cocadas.
  • Mudança de local: Desde 2014, para reduzir o impacto no trânsito, a prefeitura transferiu boa parte das barracas da Avenida Marechal Floriano para o Calçadão da Avenida Governador Amaral Peixoto. 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Como conheci o Orlando Orfei e o Tivoli Park

Naquela época só pensava em trabalhar tinha terminado o curso técnico fazia estágios em quatro lugares, inclusive na Rede Globo de televisão na divisão de telecomunicações de terra (montagem de repetidoras da Globo no meio do mato onde a gente saía cheio de carrapatos) com meu mestre, engenheiro Baltazar. 

Namorava na época, Alda Sanches, bailarina do do Grupo de Dança Espanhola do Clube de Espanha, no Humaitá, onde eu era responsável pelo som, da nossa querida Mabel (RIP).

Alda fazia figuração na Rede Globo nos programas, tipo Trapalhões e um dia sentados no bar, ela me falou de um homem chamado Orlando Orfei, estava produzindo o Festival Brasileiro do Folclore, no recém inaugurado Tivoli Park à beira da Lagoa Rodrigo de Freitas bem pertinho.

Ela comentou que ele estava procurando um técnico de som para montar os equipamentos que tinha comprado nos Estados Unidos.

Perguntou-me se eu não gostaria de ir com ela, no ensaio. Assim descemos a pé a Lopes Quintas até o Tivoli, onde encontramos, um homem todo de branco, falando um português com um sotaque carregado italiano, tendo na coleira um pastor alemão negro, dando ordens aos carpinteiros, na montagem de um palco em cima do lago das crianças.

Fui apresentado a ele de forma inusitada. Ela chegou para ele cumprimentou-o. Falou que eu era um amigo técnico em eletrônica. Que eu era especializado em sonorização. 

Ele me perguntou meu nome. Saudou-me e foi direto: - Dê uma olhada naquele galpão e diga-me se sabe montar aqueles equipamentos nos brinquedos. 

Cheguei no galpão de manutenção e vi que tinha mais de 60 amplificadores e 120 caixas Kenwood. Logo imaginei que cada amplificador e um par de caixas iria em cada brinquedo. 

Falei que sim que sabia montar e rapidamente ele virou-se para mim e falou: - Você está contratado, procure a Miriam no RH.

A estreia do Festival do Folclore foi um sucesso. Comecei a ver que aquele homem era especial. Conversávamos muito. 

Fiz logo amizade com seu filho mais velho Alberto, que tinha o maior interesse em aprender eletrônica, portanto como diretor do parque "abriu as porteiras da grana" para nossos projetos. E foram muitos. Alberto logo se tornou um exímio pesquisador de eletrônica, montando equipamentos de som de efeitos, barquinhos de controle remoto e até um oráculo de horóscopo. Montamos um laboratório de som onde ficavam todos os aparelhos de manutenção e pesquisa de novos sons para animar as crianças e acabamos contratando mais dois técnicos. Murilo e Aurélio.

Era muito simples de entender. Nós geravamos o som geral do parque. Cada operador de brinquedo tinha um microfone. Quando ele apertava o PTT cortava o som do seu brinquedo e falava com o seu público. Simples assim! 

Recém inaugurado há um ano 1971/2, tinha alguns especialistas e funcionários exemplares além da diretoria. Não queria esquecer ninguém mas gostaria de ressaltar as figuras de Gino Napolitano, responsável pelo pessoal, Elias nosso técnico mecânico, a família Moura. Antônio, o irmão e o pai e obviamente o meu querido amigo de longa data Murilo que já tinha trabalhado comigo em outras empresas de eletrônica.

Terminei os estágios que fazia, em três empresas e fiquei somente com o Tivoli Park.

Uma curiosidade! Foi durante o Festival do Folclore quando decidimos fazer o fechamento de cada espetáculo com fogos de artifício inspirados pelos trabalhos de Jean Michel Jarre. Tudo foi decidido na carreta que ficava atrás dos brinquedos próximo à lagoa.

 Contratamos uma empresa de fogos de artifício e faltava escolher um tema musical. Orlando pensou em fazer um popurri tipo Cavalgada das Valquírias, Cavalaria Ligeira etc. Apresentei-lhe o LP de Rick Wackman que em breve estaria no Brasil no projeto Aquarius se apresentando o Maracanãzinho e quando ele escutou Viagem ao Centro da Terra falou imediatamente: Esse homem é um artista. Essa vai ser a música que a gente vai usar. 

E ali também consolidou uma amizade e um respeito mútuo que dura até hoje apesar dele já estar no andar de cima. 

Tudo que quiserem ler sobre Orlando Orfei no link abaixo:

 https://share.google/9r73IkcO5lSNyW8hI

E assim ocorreu um Festival de danças folclóricas, fogos de artifício ou melhor de Son & Lumiere sincronizados através de dois walk talks Motorola, monstruosos com quem a gente falava com os fogueteiros. 

De 1971 a 17 de dezembro de 1995 o Tivoli Park levou alegria a todas as crianças e adultos. 

Foi locação para dezenas de novelas e espetáculos da Globo como Fantástico.

A apresentadora Glória Maria ficou paralisada de medo ao inaugurar a montanha russa de looping no Tivoli Park. 

Na época era o segundo ou terceiro maior parque da América Latina junto com o Playcenter em São Paulo e o Luna Park em Buenos Aires.

Em 17 de dezembro de 1995, o Tivoli encerrou suas atividades e foi obrigado pelo governo César Maia, junto com a Rede Globo que fez uma campanha contra o Parqur "cuspindo no prato que comeu" durante anos, a se retirar da Lagoa em cinco dias.

Por motivos de vingança política, interesses particulares dos moradores da lagoa e outros motivos sórdidos, fecharam o maior ícone da diversão que durante quais duas gerações levou alegria a todos. Salve o Tivoli PARK






quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Uma amizade escrita nas estrelas. Falando em filmagem de imagens aéreas.

Vamos ser sinceros! Vamos nos despir de qualquer modéstia. 

Desde que nos conhecemos o que já foi uma aventura, eu e Professor Luiz Edmundo Pereira de Azevedo diretor do Centro Educacional José do Patrocínio, fomos imbatíveis em tudo o que fizemos, na área artística e cultural. 

Nos conhecemos em circunstâncias inusitadas, quando, a pedido do então prefeito Paulo Leone (RIP) eu, como assessor técnico da Coordenadoria de Comunicação Social, fui convocado a gravar o Hino de Nova Iguaçu e me encontrei em uma disputa entre dois autores. Pedi permissão ao então Coordenador de Comunicação Social Edinaldo Carvalho que me deu carta verde e alocou verba, junto a Humberto Carluccio, tesoureiro(RIP).

Com a experiência que eu tinha, fui a campo e pesquisando junto a amigos que conheciam tudo sobre Nova Iguaçu, como Nicanor Gonçalves Pereira (RIP), querido amigo que me introduziu na prefeitura para montar som de Natal no calçadão a pedido do prefeito Rui Queiroz. 

 

Primeiro descobri que havia em Nova Iguaçu uma banda com coral chamada Banda Terremoto, ganhadora de prêmios em todo o Brasil, cujo maestro era Paulo Pedrosa e seu diretor  professor chamado Luiz Edmundo. 

Chamei Eufrásio meu motorista e rumamos para Nilo Peçanha onde ficava o Centro Educacional José do Patrocínio da Abeu- Associação Brasileira de Ensino Universitário, do qual Professor Luiz Edmundo era diretor também.

Ao chegar me apresentei e fui levado a sala do diretor, no bom sentido. 

Queria ressaltar que ao entrar na ante-sala  e ver aqueles troféus lindíssimos que a banda tinha amealhado durante anos, fiquei emocionado lembrando dos meus velhos tempos de  trombonista e ator, desfilando como Dom Pedro pelo Colégio São José de Petrópolis, onde estudei primário e ginásio, sob a regência do saudoso maestro Amadeu Guimarães(.

Fui apresentado a um homem de 1,92 m de altura, sério e ao expor a minha ideia, eu recebi um enorme SIM. 

Este foi o início de uma amizade brilhante que dura até hoje, graças a Deus.

Agora, só faltava consultar os autores dos hinos.

Com o Rui Afrânio Peixoto(RIP) não precisou ter muito trabalho pois ele era Secretário de Governo na prefeitura, e meu amigo pessoal de longos papos e alguns puxões de orelhas, já que eu era rádio-amador e ele era o delegado do Dentel em Nova Iguaçu. Também com ele aprendi muito sobre computador, onde ele "brincava" com seu filho Ruizinho e eu olhava para aquela tela preta DOS e pensava que nunca ia aprender a manusear aquela coisa horrorosa, lembrando que era um TX 88, ligado uma televisão Philco de 14" . 

Por outro lado Nicanor me informou que o hino preferido era o de Paulo Costa Navega (letra) e música de Thereza Stella de Queiroz Pinheiro Lopes. 

O primeiro um professor e a segunda irmã do ex-prefeito Ruy Queiroz, que morava na mesma rua do prefeito Paulo Leone. Então foi fácil chegar até ela. Ela me informou que já tinham escolhido o hino deles*. 

Mais uma vez recorri a Nicanor Gonçalves Pereira e ele me informou que não era verdade! Que ainda havia uma disputa. 

Levei a questão até o prefeito que decidiu dar uma de Salomão. Pediu para gravar um disco, para que pudéssemos distribuir nas escolas do primeiro grau. Escolhi então gravar em compacto duplo tendo os dois hinos. Uma faixa com letra e música e outra so instrumental.

Foi um sucesso retumbante! Gravamos  nos famosos estúdios da Transamérica, na rua 24 de maio, no Rio, onde trabalhei 4 anos da minha vida, à noite editando músicas de artistas.

Dois ônibus com Coral e Banda treinados em tempo record, sob a regência do maestro Paulo Pedrosa, junto com o diretor Luiz Edmundo. 

Foram feitas mil cópias pela Odeon e distribuídas em todo o município.

A partir daí nossa parceria foi completa. Gincanas, teatro, festas juninas, festivais de música, etc,etc. 

E até, o que hoje, estou enfocando neste vídeo. 

Há um determinado momento Luiz Edmundo, já meu compadre, amigo e considerado o irmão que eu não tive, a quem eu entreguei alma cristã de minha filha mais nova para eles (ele e sua esposa Maria Helena (Lena) apadrinharem e entreguei a filha mais velha Isabel, que juntas, fossem educadas na instituição, junto com os filhos deles, Ellie e Leandro Braga.

A um determinado momento, depois de todas essas aventuras, fomos convidados peonoresisente da Abeu Valdir Vilela  vídeos dos 7 cursos profissionalizantes incentivando os egressos do final do então curso ginásio, a fazerem cursos profissionalizantes. 

Para isso precisávamos de uma abertura estrondosa e de uma voz maravilhosa. 

Poderia ter sido a maravilhosa voz do Luiz Edmundo, do querido Laír Soare(RIP) ou então a minha própria voz com todo o sotaque português que carrega, mas escolhemos Adilson Tavares (RIP), já que na época ele era "cabine" do programa da Xuxa na Rede Globo e meu vizinho aqui no bairro Juscelino.

Imagens só poderiam ser extraordinárias. E o que melhor que mostrar as instalações físicas, geográficas das instituições Abeu na Baixada?  Para isso precisávamos de um helicóptero.

Vamos juntos para o Aeroclube de Nova Iguaçu e lá conheci uma figura fantástica chamada Santana que é nosso amigo até hoje, só que não mais em Nova Iguaçu, mas sim no aeroporto de Jacarepaguá. 

Santana tinha dois helicópteros Bell de três pás o que não era muito bom para gravação já que tremiam muito e como diz meu compadre Luiz Edmundo: - duas bolinhas de acrílico. E ele chegou a subir neles.

Acertamos preço, marcarmos dias de gravação para depender do bom tempo. E no dia certo rumarmos para o aeroclube eu, Luiz Edmundo, Ibrahim Soares e Aurélio (RIP). Covers dos quatro mosqueteiros. Sempre unidos. 

Para melhorar a estabilidade com uma câmera Panasonic PV 220, pedi ao Santana fones para comunicação ele falou que não tinha. Estavam com defeito. Imaginem!!

Assim preso a dois cintos de segurança com os pés nos estribos, fizemos esta abertura para os Cursos Profissionalizantes da Abeu - Associação Brasileira de Ensino Universitário.