segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Como conheci o Orlando Orfei e o Tivoli Park

Naquela época só pensava em trabalhar tinha terminado o curso técnico fazia estágios em quatro lugares, inclusive na Rede Globo de televisão na divisão de telecomunicações de terra (montagem de repetidoras da Globo no meio do mato onde a gente saía cheio de carrapatos) com meu mestre, engenheiro Baltazar. 

Namorava na época, Alda Sanches, bailarina do do Grupo de Dança Espanhola do Clube de Espanha, no Humaitá, onde eu era responsável pelo som, da nossa querida Mabel (RIP).

Alda fazia figuração na Rede Globo nos programas, tipo Trapalhões e um dia sentados no bar, ela me falou de um homem chamado Orlando Orfei, estava produzindo o Festival Brasileiro do Folclore, no recém inaugurado Tivoli Park à beira da Lagoa Rodrigo de Freitas bem pertinho.

Ela comentou que ele estava procurando um técnico de som para montar os equipamentos que tinha comprado nos Estados Unidos.

Perguntou-me se eu não gostaria de ir com ela, no ensaio. Assim descemos a pé a Lopes Quintas até o Tivoli, onde encontramos, um homem todo de branco, falando um português com um sotaque carregado italiano, tendo na coleira um pastor alemão negro, dando ordens aos carpinteiros, na montagem de um palco em cima do lago das crianças.

Fui apresentado a ele de forma inusitada. Ela chegou para ele cumprimentou-o. Falou que eu era um amigo técnico em eletrônica. Que eu era especializado em sonorização. 

Ele me perguntou meu nome. Saudou-me e foi direto: - Dê uma olhada naquele galpão e diga-me se sabe montar aqueles equipamentos nos brinquedos. 

Cheguei no galpão de manutenção e vi que tinha mais de 60 amplificadores e 120 caixas Kenwood. Logo imaginei que cada amplificador e um par de caixas iria em cada brinquedo. 

Falei que sim que sabia montar e rapidamente ele virou-se para mim e falou: - Você está contratado, procure a Miriam no RH.

A estreia do Festival do Folclore foi um sucesso. Comecei a ver que aquele homem era especial. Conversávamos muito. 

Fiz logo amizade com seu filho mais velho Alberto, que tinha o maior interesse em aprender eletrônica, portanto como diretor do parque "abriu as porteiras da grana" para nossos projetos. E foram muitos. Alberto logo se tornou um exímio pesquisador de eletrônica, montando equipamentos de som de efeitos, barquinhos de controle remoto e até um oráculo de horóscopo. Montamos um laboratório de som onde ficavam todos os aparelhos de manutenção e pesquisa de novos sons para animar as crianças e acabamos contratando mais dois técnicos. Murilo e Aurélio.

Era muito simples de entender. Nós geravamos o som geral do parque. Cada operador de brinquedo tinha um microfone. Quando ele apertava o PTT cortava o som do seu brinquedo e falava com o seu público. Simples assim! 

Recém inaugurado há um ano 1971/2, tinha alguns especialistas e funcionários exemplares além da diretoria. Não queria esquecer ninguém mas gostaria de ressaltar as figuras de Gino Napolitano, responsável pelo pessoal, Elias nosso técnico mecânico, a família Moura. Antônio, o irmão e o pai e obviamente o meu querido amigo de longa data Murilo que já tinha trabalhado comigo em outras empresas de eletrônica.

Terminei os estágios que fazia, em três empresas e fiquei somente com o Tivoli Park.

Uma curiosidade! Foi durante o Festival do Folclore quando decidimos fazer o fechamento de cada espetáculo com fogos de artifício inspirados pelos trabalhos de Jean Michel Jarre. Tudo foi decidido na carreta que ficava atrás dos brinquedos próximo à lagoa.

 Contratamos uma empresa de fogos de artifício e faltava escolher um tema musical. Orlando pensou em fazer um popurri tipo Cavalgada das Valquírias, Cavalaria Ligeira etc. Apresentei-lhe o LP de Rick Wackman que em breve estaria no Brasil no projeto Aquarius se apresentando o Maracanãzinho e quando ele escutou Viagem ao Centro da Terra falou imediatamente: Esse homem é um artista. Essa vai ser a música que a gente vai usar. 

E ali também consolidou uma amizade e um respeito mútuo que dura até hoje apesar dele já estar no andar de cima. 

Tudo que quiserem ler sobre Orlando Orfei no link abaixo:

 https://share.google/9r73IkcO5lSNyW8hI

E assim ocorreu um Festival de danças folclóricas, fogos de artifício ou melhor de Son & Lumiere sincronizados através de dois walk talks Motorola, monstruosos com quem a gente falava com os fogueteiros. 

De 1971 a 17 de dezembro de 1995 o Tivoli Park levou alegria a todas as crianças e adultos. 

Foi locação para dezenas de novelas e espetáculos da Globo como Fantástico.

A apresentadora Glória Maria ficou paralisada de medo ao inaugurar a montanha russa de looping no Tivoli Park. 

Na época era o segundo ou terceiro maior parque da América Latina junto com o Playcenter em São Paulo e o Luna Park em Buenos Aires.

Em 17 de dezembro de 1995, o Tivoli encerrou suas atividades e foi obrigado pelo governo César Maia, junto com a Rede Globo que fez uma campanha contra o Parqur "cuspindo no prato que comeu" durante anos, a se retirar da Lagoa em cinco dias.

Por motivos de vingança política, interesses particulares dos moradores da lagoa e outros motivos sórdidos, fecharam o maior ícone da diversão que durante quais duas gerações levou alegria a todos. Salve o Tivoli PARK






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