Com esta frase, terminamos um diágolo pelo Skype, para recomeçar neste sábado com uma hora de atraso. Foi muito bom rever Delvi e Iara Berger. Já se passaram 22 anos. Na época, 1986, Delvi Berger, dono da EBAM- empresa brasileira de assistência médica, foi candidato a deputado federal pelo PFL. De um ilustre desconhecido, irmão da senadora Eunice Michiles pela Amazônia, este homem nos ensinou, como se faz uma campanha política vitoriosa. Muitos, conhecedores da história diriam; é fácil, com muito dinheiro. Com 30 anos de experiência, já vi políticos gastarem muito mais e não elegerem-se. O que importa é que gastou do seu próprio bolso e não em conchavos, que depois teria de pagar de alguma forma, se eleito fosse. Temos de acabar com essa hipocrisia de achar que o político é eleito pelos belos olhos, pelo carisma pessoa ou porque é “lindinho”. Existem três maneiras de um político se eleger. Um passado com trabalho de base bem feita junto ao seu reduto, um investimento racional dentro do período eleitoral e uma “boca de urna” milionária, mobilizando cabos eleitoral e suas hostes, em todos o pontos possíveis de votação para angariar votos dos indecisos. Em 1986, Delvi reúne homens inteligentes para fazer uma campanha que atingiu 48 municípios dos então 64 que compunham o Estado do Rio de Janeiro. Monta um logística de deslocamento onde consegue promover comícios, conversar com lideranças e participar ativamente da campanha de seus aliados candidatos a deputado estadual. Cria um campanha televisiva que virou um case de marketing político, com uma simples frase padrão apenas trocando os elementos, a essência. Exemplos: Eu sou Botafogo, diz um personagem. Eu sou Vasco, diz outro. Ele vira-se para a câmera e diz; eu sou Delvi. 15 segundos em horário nobre que fixaram a imagem deste homem bonito, carismático, e bem articulado. Com o seu dinheiro. Não teve de colocar dinheiro na cueca, na bolsa, na meia... Pois bem. Queriam mais. Ele um homem de princípios, com intenção de mudar a cara deste pais através da constituinte de 88, principalmente na a área da saúde previdenciária, foi pressionado a aderir a lobbys pré formados, a doar quantias exorbitantes. Disse que não. Pra quê, se já estava eleito segundo pesquisas oficiais como o terceiro candidato mais votado para federal. Conseguiram engrendar um plano e o processaram por abuso do poder econômico. Ele perdeu as eleições e o seu amor pela política que nascia e morria ali. Desiludido, decide ir morar nos Estados Unidos com sua Iara e filhos. Lembro-me da despedida. Era uma liderança que deixava o Brasil. Talvez alguém questione; deveria ter continuado a luta. Uma pessoa apaixonada por um ideal, sabe ver o futuro e se perguntar. Se fizeram isto comigo agora o que de pior farão no futuro. Tivemos alguns exemplos no Brasil. Getúlio Vargas, Jânio Quadros, que, cada um à sua maneira, sentiram o peso da traição.
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