David Avelar

domingo, 12 de maio de 2013

Adilson de Mesquita classificado no São Paulo Exposamba 2013


Por David Avelar
Em 2005, quando estava produzindo a festa de aniversário de Mesquita, fui apresentado a Adilson de Mesquita, na casa de Almir Tavares.
Ele estava fazendo pequenos reparos na instalação elétrica e Almir o apresentou como compositor com alguns sambas gravados principalmente pelo seu amigo de rádio Nacional, radialista Adelzon Alves. Almir que é violonista ainda enfatizou que ele era ótimo eletricista.
 A partir daí, Adilson passou a fazer parte de minha equipe de manutenção. Um ano passou e, sou sincero, nunca tinha escutado as obras do Adilson. Quando fizemos a reforma das águasdançantes, em 2006, para o retorno do Circo Orlando Orfei ao Brasil, chamei-o para ser meu assistente na intricada e jurássica, reforma da rede elétrica daquela “velha senhora alemã de 90 anos”, como eu gosto da chamar o complexo de botões, fios e motores que tanta emoção levaram ao público e que Orlando Orfei comprou depois da guerra na Alemanha.
Adilson mostrou-se um profissional à altura, logo dominando a restauração. Dentre os funcionários especialistas, que estavam nessa árdua tarefa encontrava-se, António Moura, português,  que entrou antes mim para o Tivoly Park, em 1972. Carlinhos, e Paulinho, um soldador e também cantor de samba. Um dia chego no galpão e estavam os dois discutindo sobre a qualidade dos samba que às vezes Adilson cantarolava. Comecei a prestar mais atenção às composições do amigo e logo vi que tinham qualidade. Ofereci-me para levar um cd para a cantora Alcione, que nós conhecíamos, desde o Tivoly, quando namorava o Gino napolitano, um funcionário de alto escalão e que, praticamente foi o primeiro namorada de Alcione no Rio de Janeiro, quando ela veio do Maranhão. Por diversas vezes a Ria Som fez o som da Marrom em, Coroa Grande, Cabo Frio etc. E ela mangueirense e presidente o projeto Crianças do Amanhã, não seria difícil contatá-la. Mandei o Cd para lá e a verdade é que não obtive resposta. Os anos se passaram, Adilson continuava a trabalhar para mim. Em 2011, fizemos novamente uma reforma nas Águas Dançantes, que iriam estrear em Bento Gonçalves, dia 15 de novembro e Adilson mostra-me um samba em homenagem a Carlinhos de Jesus, “Malandro Sorridente”. Achei o samba incrível. Rico em melodia e rítmica, uma letra impecável, mas o que emocionava era o resgate do samba brejeiro de passinho curto, termo muito utilizado pelo nosso querido Sargentelli nas suas criticas e apresentações. O ano passado ao ver o anúncio do São Paulo Exposamba, o chamei e  mostrei-lhe a qualidade desse evento, fantástico para descobrir novos talentos. Adilson torceu o nariz quando viu os concorrentes e desanimou. Eu, literalmente, encostei-o na parede forrada com um fundo azul e falei: - Canta! Adilson parecia um malandro de gafieira. O seu bio tipo magro, pardo, com a barba sem fazer, dava-lhe atributos que cobriam as pequenas falhas de sua voz rouca de interprete. mas o samba era lindo! Fizemos a inscrição. Mandamos o vídeo e não foi novidade quando veio o email com sua classificação. Falei para ele: - você está classificado agora corre atrás de verba, ou da prefeitura, ou dos amigos para ir a São Paulo. Adilson de Sousa e Silva, morador da rua Venus em Mesquita, foi a São Paulo e classificou-se dentre 1.000 selecionados das 80 mil inscrições. Agora eram 200. Torna o Adilson a correr os amigos e voltar a São Paulo uma semana depois e trazer a classificação entre os 40. Veio cheio de estórias para contar, inclusive que tinha feito amizade com diversos sambistas e com Walleska Arsolino Bartólo e José Maria Monteiro,  da direção da Fábrica do Samba,  que promovem o Festival. Este ano recebemos um email convidando-o para participar e que o seu samba malandro Sorridente estava classificado para as eliminatórias de Céu Sapopemba,

neste sábado dia 11 de maio. Adilson, voltou com a classificação na repescagem e agora já tem o samba "Com Deus Sempre", classificado. Ainda concorre com "Minha Raiz", que ele fez play-back em cima de uma gravação antiga da rádio Nacional. Agora só nos resta torcer para este compositor que de alguma maneira lembra o titulo desta composição "Minha raiz".
De uma terra que foi fértil nos seus talentos, na garra deste sambista de meia idade, com muito chão percorrido e sem nenhum incentivo das autoridades de sua terra, a ganhar espaço nacional, no São Paulo Exposamba 2013.





Entrevista de Adilson para o G1 neste sábado 11

São Paulo Exposamba

São Paulo Exposamba 2013

Gravações no YouTube



Postado por David Avelar às 16:59 Um comentário:

domingo, 5 de maio de 2013

Será que o mundo está errado?

Será que a nossa geração vai ver um Brasil mais justo. Para haver a verdadeira democracia, a justiça tem de ser implacável, com o risco de vermos os cidadãos encurralados e os bandidos de todas classes soltos. A frase, "eu não sabia" não pode estar embasada na certeza da impunidade. A mídia não tem culpa de exercer o direito de liberdade, mas tem responsabilidade moral quando divulga  em rede nacional, todos os dias, um bloco de violência e corrupção. Os "menores de idade" usam exemplos de seus ídolos para viver. Se não tiverem noção do certo e do errado, certamente, muitos vão incorrer no crime. Temos de proteger a sociedade dos que tiram vidas, destroem família e geram dor;
Por isso repito: Há algo errado no quadro abaixo. 
Postado por David Avelar às 07:33 Nenhum comentário:

sábado, 9 de março de 2013

Srs Congressistas. Se é para dividir, vamos dividir tudo

Direto do Facebook.


  • Já que é pra dividir, vamos dividir tudo, inclusive os royalties do minério, do nióbio, do ouro, da cana-de-açucar, das usinas hidrelétricas, zona franca, etc. Por um Brasil mais justo!



    • Emanuel David Avelar Goulart compartilhou a foto de Belezas Capixabas.
      Isso é o que eu penso! Aí está uma aplicação da "Navalha de Occam" -"Se em tudo o mais forem idênticas as várias explicações de um fenómeno, a mais simples é a melhor"
      — William de Ockham.
      Resumindo: se é para dividir, vamos dividir tudo.
      Curtir ·  · há 5 minutos ·



    • Opções
      Edison Mattos compartilhou a foto de Belezas Capixabas.
      APOIADO
      Curtir ·  · 22 · há 23 minutos ·

      Belezas Capixabas
      Seguir · 27 de fevereiro 

      Já que é pra dividir, vamos dividir tudo, inclusive os royalties do minério, do nióbio, do ouro, da cana-de-açucar, das usinas hidrelétricas, zona franca, etc. Por um Brasil mais justo!
       — com Rita Miranda, Eduardo Ribeiro, Roberta Maria Pinto e outras 20 pessoas.
      Curtir · Compartilhar
      • 1.075 pessoas curtiram isto.
      • 31.694 compartilhamentos
      • 4 de 62
        Visualizar comentários anteriores
      • Themistocles Sant Ana Eles mandam tanto que estão tudo morrendo na seca nordestina, enquanto isto os estadios para copa estão de a mil por hora... Quem é otário, trouxa etc.?
        há 7 horas · Editado · Curtir · 6
      • Benito Soares Acredito, que nosso país, deve ter um gerente melhor, e algumas pessoas usar o bolsa escola e comprar um dicionario, pois desta forma , falariam menos besteira.
        há 32 minutos · Curtir
      • Jociane Froklich David E isso ai. Se o petroleo é de todos. Entao tudo q os demais estados produzem tb e de todos, inclusive do ES.
        há 17 minutos · Curtir
      • Caio Moreira REPÚBLICA FEDERATIVA DO RIO

        Covardia tem limite. Se a federação se voltou contra nós, a hora da LIBERDADE é agora !

        Nasce um país com R$ 500 bilhões de PIB, auto-suficiente em petróleo, Minério, Industria, Agricultura e com as maiores Forças Armadas 
        ...Veja mais
        há 5 minutos · Curtir

  • Opções

  • Gloria Jean compartilhou a foto de Rio Resistência - Os Royalties são nossos.
    Guerra é guerra! To contigo RIO!
    Guerra é guerra! To contigo RIO!
    Curtir ·  · Compartilhar · há 11 minutos · 
    • Shirley Andreatti curtiu isto.
Postado por David Avelar às 14:11 Nenhum comentário:

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Facebook do cantor Ivan Lins divulga matéria de José Roberto Guzzo


Boa noite amigos,
Não morro de amores pela revista Veja, mas este artigo do J.R.Guzzo é inquietante e vale a leitura, embora mostre os problemas sem indicar saídas. Mas já é alguma coisa! Se puder, se quiser leia... Sei que é assunto pesado, pois ainda estamos no clima de carnaval, oleoleoleolê! Mas se vc está a afim de pensar um pouco, de tomar alguma atitude depois da folia, leia sim. Afinal, meu Deus do céu, que país é esse afinal em que estamos vivendo... Se puder, leia. Vale a pena. E depois, respire fundo, faça meditação, ou vá correr na academia, ou procure alguém bacana e positivista para conversar... ou simplesmente chore até sair tudo. Ou  então não leia. Mas entenda o porque da minha foto com a tarja de luto que também é pelas vitimas de Santa Maria, pela desfaçatez de certos políticos, certas roubalheiras, certas impunidades, mas, neste momento, por esta realidade longa e cruel exposta nesta matéria, infelizmente muito longe de ser inverídica.
Grande abraço
Ivan

...............................................

Namorando com o suicídio
Autor: J.R.Guzzo
Veja - 28/01/2013

Se nada piorar neste ano de 2013, cerca de 250 policiais serão assassinados no Brasil até o próximo dia 31 de dezembro. É uma história de horror, sem paralelo em nenhum país do mundo civilizado. Mas estes foram os números de 2012, com as variações devidas às diferenças nos critérios de contagem, e não há nenhuma razão para imaginar que as coisas fiquem melhores em 2013 — ao contrário, o fato de que um agente de polícia é morto a cada 35 horas por criminosos, em algum lugar do país, é aceito com indiferença cada vez maior pelas autoridades que comandam os policiais e que têm a obrigação de ficar do seu lado. A tendência, assim, é que essa matança continue sendo considerada a coisa mais  natural do mundo — algo que “acontece”, como as chuvas de verão e os engarrafamentos de trânsito de todos os dias.

Raramente, hoje em dia, os barões que mandam nos nossos govemos, mais as estrelas do mundo intelectual, os meios de comunicação e a sociedade em geral se incomodam em pensar no tamanho desse desastre. Deveriam, todos, estar fazendo justo o contrário, pois o desastre chegou a um extremo incompreensível para qualquer país que não queira ser classificado como selvagem. Na França, a ficar em um exemplo de entendimento rápido, 620 policiais foram assassinados por marginais nos últimos quarenta anos — isso mesmo, quarenta anos, de 1971 a 2012. São cifras em queda livre. Na década de 80, a França registrava, em média, 25 homicídios de agentes de polícia por ano, mais ou menos um padrão para nações desenvolvidas do mesmo porte. Na década de 2000 esse número caiu para seis — apenas seis, nem um a mais, contra os nossos atuais 250. O que mais seria preciso para admitir que estamos vivendo no meio de uma completa aberração?

Há alguma coisa profundamente errada com um país que engole passivamente o assassínio quase diário de seus policiais — e, com isso, diz em voz baixa aos bandidos que podem continuar matando à vontade, pois, no fundo, estão numa briga particular com "a polícia", e ninguém vai se meter no meio. Essa degeneração é o resultado direto da política de covardia a que os governos estaduais brasileiros obedecem há décadas diante da criminalidade. Em nenhum lugar a situação é pior do que em São Paulo, onde se registra a metade dos assassinatos de policiais no Brasil; com 20% da população nacional, tem 50% dos crimes cometidos nessa guerra. É coisa que vem de longe. Desde que Franco Montoro foi eleito governador, em 1982, nas primeiras eleições diretas para os governos estaduais permitidas pelo regime militar, criou-se em São Paulo, e dali se espalhou pelo Brasil, a ideia de que reprimir delitos é uma postura antidemocrática — e que a principal função do estado é combater a violência da polícia, não o crime. De lá para cá, pouca coisa mudou. A consequência está aí: mais de 100 policiais paulistas assassinados em 2012.

O jornalista André Petry, num artigo recente publicado nesta revista, apontou um fato francamente patológico: o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, conseguiu o prodígio de não comparecer ao enterro de um único dos cento e tantos agentes da sua polícia assassinados ao longo do ano de 2012. A atitude seria considerada monstruosa em qualquer país sério do mundo. Aqui ninguém sequer percebe o que o homem fez, a começar por ele próprio. Se lesse essas linhas, provavelmente ficaria surpreso: "Não, não fui a enterro nenhum. Qual é o problema?". A oposição ao governador não disse uma palavra sobre sua ausência nos funerais. As dezenas de grupos prontos a se indignar 24 horas por dia contra os delitos da polícia, reais ou imaginários, nada viram de anormal na conduta do governador. A mídia ficou em silêncio. É o aberto descaso pela vida, quando essa vida pertence a um policial. É, também, a capitulação diante de uma insensatez: a de ficar neutro na guerra aberta que os criminosos declararam contra a polícia no Brasil.

Há mais que isso. A moda predominante nos governos estaduais, que vivem apavorados por padres, jornalistas, ONGs, advogados criminais e defensores de minorias, viciados em crack, mendigos, vadios e por aí afora, é perseguir as suas próprias polícias — com corregedorias, ouvidorias, procuradorias e tudo o que ajude a mostrar quanto combatem a "arbitrariedade". Sua última invenção, em São Paulo, foi proibir a polícia de socorrer vítimas em cenas de crime, por desconfiar que faça alguma coisa errada se o ferido for um criminoso; com isso, os policiais paulistas tornam-se os únicos cidadãos brasileiros proibidos de ajudar pessoas que estejam sangrando no meio da rua. É crescente o número de promotores que não veem como sua principal obrigação obter a condenação de criminosos; o que querem é lutar contra a “higienização" das ruas, a “postura repressiva” da polícia e ações que incomodem os “excluídos”. Muitos juizes seguem na mesma procissão. Dentro e fora dos governos continua a ser aceita, como verdade científica, a ficção de que a culpa pelo crime é da miséria, e não dos criminosos. Ignora-se o fato de que não existe no Brasil de hoje um único assaltante que roube para matar a fome ou comprar o leite das crianças. Roubam, agridem e matam porque querem um relógio Rolex; não aceitam viver segundo as regras obedecidas por todos os demais cidadãos, a começar pela que manda cada um ganhar seu sustento com o próprio trabalho. Começam no crime aos 12 ou 13 anos de idade, estimulados pela certeza de que podem cometer os atos mais selvagens sem receber nenhuma punição; aos 18 ou 19 anos já estão decididos a continuar assim pelo resto da vida.

Essa tragédia, obviamente, não é um “problema dos estados”, fantasia que os governos federais inventaram há mais de 100 anos para o seu próprio conforto — é um problema do Brasil. A presidente Dilma Rousseff acorda todos os dias num país onde há 50000 homicídios por ano; ao ir para a cama de noite, mais 140 brasileiros terão sido assassinados ao longo de sua jomada de trabalho. Dilma parece não sentir que isso seja um absurdo. No máximo, faz uma ou outra reunião inútil para discutir “políticas públicas” de segurança, em que só se fala em verbas e todos ficam tentando adivinhar o que a presidente quer ouvir. Não tem paciência para lidar com o assunto; quer voltar logo ao seu computador, no qual se imagina capaz de montar estratégias para desproblematizar as problematizações que merecem a sua atenção. Não se dá conta de que preside um país ocupado, onde a tropa de ocupação são os criminosos.

Muito pouca gente, na verdade, se dá conta. Os militares se preocupam com tanques de guerra, caças e fragatas que não servem para nada; estão à espera da invasão dos tártaros, quando o inimigo real está aqui dentro. Não podem, por lei. fazer nada contra o crime —  não conseguem nem mesmo evitar que seus quartéis sejam regularmente roubados por criminosos à procura de armas. A classe média, frequentemente em luta para pagar as contas do mês, se encanta porque também ela, agora, começa a poder circular em carros blindados: noticia-se, para orgulho geral, que essa maravilha estará chegando em breve à classe C. O número de seguranças de terno preto plantados na frente das escolas mais caras, na hora da saída, está a caminho de superar o número de professores. As autoridades, enfim, parecem dizer aos policiais: “Damos verbas a vocês. Damos carros. Damos armas. Damos coletes salva-vidas. Virem-se”.

É perturbadora, no Brasil de hoje, a facilidade com que governantes e cidadãos passaram a aceitar o convívio diário com o mal em estado puro. É um "tudo bem” crescente, que aceita cada vez mais como normal o que é positivamente anormal — “tudo bem” que policiais sejam assassinados quase todos os dias, que 90% dos homicídios jamais cheguem a ser julgados, que delinquentes privatizem para seu uso áreas inteiras das grandes cidades. E daí? Estamos tão bem que a última grande ideia do governo, em matéria de segurança, é uma campanha de propaganda que recomenda ao cidadão: “Proteja a sua família. Desarme-se”. É uma bela maneira, sem dúvida, de namorar com o suicídio.
Boa noite amigos,
Não morro de amores pela revista Veja, mas este artigo do J.R.Guzzo é inquietante e vale a leitura, embora mostre os problemas sem indicar saídas. Mas já é alguma coisa! Se puder, se quiser leia... Sei que é assunto pesado, pois ainda estamos no clima de carnaval, oleoleoleolê! Mas se vc está a afim de pensar um pouco, de tomar alguma atitude depois da folia, leia sim. Afinal, meu Deus do céu, que país é esse afinal em que estamos vivendo... Se puder, leia. Vale a pena. E depois, respire fundo, faça meditação, ou vá correr na academia, ou procure alguém bacana e positivista para conversar... ou simplesmente chore até sair tudo. Ou então não leia. Mas entenda o porque da minha foto com a tarja de luto que também é pelas vitimas de Santa Maria, pela desfaçatez de certos políticos, certas roubalheiras, certas impunidades, mas, neste momento, por esta realidade longa e cruel exposta nesta matéria, infelizmente muito longe de ser inverídica.
Grande abraço
Ivan

Nota do blog: Parabéns ao Ivan e ao J.R. Guzzo

...............................................

Namorando com o suicídio
Autor: * J.R.Guzzo
Veja - 28/01/2013

Se nada piorar neste ano de 2013, cerca de 250 policiais serão assassinados no Brasil até o próximo dia 31 de dezembro. É uma história de horror, sem paralelo em nenhum país do mundo civilizado. Mas estes foram os números de 2012, com as variações devidas às diferenças nos critérios de contagem, e não há nenhuma razão para imaginar que as coisas fiquem melhores em 2013 — ao contrário, o fato de que um agente de polícia é morto a cada 35 horas por criminosos, em algum lugar do país, é aceito com indiferença cada vez maior pelas autoridades que comandam os policiais e que têm a obrigação de ficar do seu lado. A tendência, assim, é que essa matança continue sendo considerada a coisa mais natural do mundo — algo que “acontece”, como as chuvas de verão e os engarrafamentos de trânsito de todos os dias.

Raramente, hoje em dia, os barões que mandam nos nossos govemos, mais as estrelas do mundo intelectual, os meios de comunicação e a sociedade em geral se incomodam em pensar no tamanho desse desastre. Deveriam, todos, estar fazendo justo o contrário, pois o desastre chegou a um extremo incompreensível para qualquer país que não queira ser classificado como selvagem. Na França, a ficar em um exemplo de entendimento rápido, 620 policiais foram assassinados por marginais nos últimos quarenta anos — isso mesmo, quarenta anos, de 1971 a 2012. São cifras em queda livre. Na década de 80, a França registrava, em média, 25 homicídios de agentes de polícia por ano, mais ou menos um padrão para nações desenvolvidas do mesmo porte. Na década de 2000 esse número caiu para seis — apenas seis, nem um a mais, contra os nossos atuais 250. O que mais seria preciso para admitir que estamos vivendo no meio de uma completa aberração?

Há alguma coisa profundamente errada com um país que engole passivamente o assassínio quase diário de seus policiais — e, com isso, diz em voz baixa aos bandidos que podem continuar matando à vontade, pois, no fundo, estão numa briga particular com "a polícia", e ninguém vai se meter no meio. Essa degeneração é o resultado direto da política de covardia a que os governos estaduais brasileiros obedecem há décadas diante da criminalidade. Em nenhum lugar a situação é pior do que em São Paulo, onde se registra a metade dos assassinatos de policiais no Brasil; com 20% da população nacional, tem 50% dos crimes cometidos nessa guerra. É coisa que vem de longe. Desde que Franco Montoro foi eleito governador, em 1982, nas primeiras eleições diretas para os governos estaduais permitidas pelo regime militar, criou-se em São Paulo, e dali se espalhou pelo Brasil, a ideia de que reprimir delitos é uma postura antidemocrática — e que a principal função do estado é combater a violência da polícia, não o crime. De lá para cá, pouca coisa mudou. A consequência está aí: mais de 100 policiais paulistas assassinados em 2012.

O jornalista André Petry, num artigo recente publicado nesta revista, apontou um fato francamente patológico: o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, conseguiu o prodígio de não comparecer ao enterro de um único dos cento e tantos agentes da sua polícia assassinados ao longo do ano de 2012. A atitude seria considerada monstruosa em qualquer país sério do mundo. Aqui ninguém sequer percebe o que o homem fez, a começar por ele próprio. Se lesse essas linhas, provavelmente ficaria surpreso: "Não, não fui a enterro nenhum. Qual é o problema?". A oposição ao governador não disse uma palavra sobre sua ausência nos funerais. As dezenas de grupos prontos a se indignar 24 horas por dia contra os delitos da polícia, reais ou imaginários, nada viram de anormal na conduta do governador. A mídia ficou em silêncio. É o aberto descaso pela vida, quando essa vida pertence a um policial. É, também, a capitulação diante de uma insensatez: a de ficar neutro na guerra aberta que os criminosos declararam contra a polícia no Brasil.

Há mais que isso. A moda predominante nos governos estaduais, que vivem apavorados por padres, jornalistas, ONGs, advogados criminais e defensores de minorias, viciados em crack, mendigos, vadios e por aí afora, é perseguir as suas próprias polícias — com corregedorias, ouvidorias, procuradorias e tudo o que ajude a mostrar quanto combatem a "arbitrariedade". Sua última invenção, em São Paulo, foi proibir a polícia de socorrer vítimas em cenas de crime, por desconfiar que faça alguma coisa errada se o ferido for um criminoso; com isso, os policiais paulistas tornam-se os únicos cidadãos brasileiros proibidos de ajudar pessoas que estejam sangrando no meio da rua. É crescente o número de promotores que não veem como sua principal obrigação obter a condenação de criminosos; o que querem é lutar contra a “higienização" das ruas, a “postura repressiva” da polícia e ações que incomodem os “excluídos”. Muitos juizes seguem na mesma procissão. Dentro e fora dos governos continua a ser aceita, como verdade científica, a ficção de que a culpa pelo crime é da miséria, e não dos criminosos. Ignora-se o fato de que não existe no Brasil de hoje um único assaltante que roube para matar a fome ou comprar o leite das crianças. Roubam, agridem e matam porque querem um relógio Rolex; não aceitam viver segundo as regras obedecidas por todos os demais cidadãos, a começar pela que manda cada um ganhar seu sustento com o próprio trabalho. Começam no crime aos 12 ou 13 anos de idade, estimulados pela certeza de que podem cometer os atos mais selvagens sem receber nenhuma punição; aos 18 ou 19 anos já estão decididos a continuar assim pelo resto da vida.

Essa tragédia, obviamente, não é um “problema dos estados”, fantasia que os governos federais inventaram há mais de 100 anos para o seu próprio conforto — é um problema do Brasil. A presidente Dilma Rousseff acorda todos os dias num país onde há 50000 homicídios por ano; ao ir para a cama de noite, mais 140 brasileiros terão sido assassinados ao longo de sua jomada de trabalho. Dilma parece não sentir que isso seja um absurdo. No máximo, faz uma ou outra reunião inútil para discutir “políticas públicas” de segurança, em que só se fala em verbas e todos ficam tentando adivinhar o que a presidente quer ouvir. Não tem paciência para lidar com o assunto; quer voltar logo ao seu computador, no qual se imagina capaz de montar estratégias para desproblematizar as problematizações que merecem a sua atenção. Não se dá conta de que preside um país ocupado, onde a tropa de ocupação são os criminosos.

Muito pouca gente, na verdade, se dá conta. Os militares se preocupam com tanques de guerra, caças e fragatas que não servem para nada; estão à espera da invasão dos tártaros, quando o inimigo real está aqui dentro. Não podem, por lei. fazer nada contra o crime — não conseguem nem mesmo evitar que seus quartéis sejam regularmente roubados por criminosos à procura de armas. A classe média, frequentemente em luta para pagar as contas do mês, se encanta porque também ela, agora, começa a poder circular em carros blindados: noticia-se, para orgulho geral, que essa maravilha estará chegando em breve à classe C. O número de seguranças de terno preto plantados na frente das escolas mais caras, na hora da saída, está a caminho de superar o número de professores. As autoridades, enfim, parecem dizer aos policiais: “Damos verbas a vocês. Damos carros. Damos armas. Damos coletes salva-vidas. Virem-se”.

É perturbadora, no Brasil de hoje, a facilidade com que governantes e cidadãos passaram a aceitar o convívio diário com o mal em estado puro. É um "tudo bem” crescente, que aceita cada vez mais como normal o que é positivamente anormal — “tudo bem” que policiais sejam assassinados quase todos os dias, que 90% dos homicídios jamais cheguem a ser julgados, que delinquentes privatizem para seu uso áreas inteiras das grandes cidades. E daí? Estamos tão bem que a última grande ideia do governo, em matéria de segurança, é uma campanha de propaganda que recomenda ao cidadão: “Proteja a sua família. Desarme-se”. É uma bela maneira, sem dúvida, de namorar com o suicídio.
* José Roberto Guzzo é diretor editorial do grupo EXAME e colunista das revistas EXAME e VEJA.
Postado por David Avelar às 05:58 Nenhum comentário:
Postagens mais recentes Postagens mais antigas Página inicial
Assinar: Postagens (Atom)

Pico - Açores

Pico - Açores
A Ilha-Montanha. Um blog dedicado à publicação de contos, crônicas e narrativas do passado. À Sombra do Vulcão.

CONTADOR DE VISITAS

Quem sou eu

Minha foto
David Avelar
Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, Brazil
Um açoreano, que apesar de viver no Brasil, há 45 anos, nunca esqueçeu as suas ilhas queridas. - Quando perguntam porque escolhi o Brasil para viver, respondo com uma frase de Federico Orfei. - "o Brasil é a nossa amante querida, mas os Açores (Portugal), uma mãe inesquecível". davidavelargoulart@gmail.com
Ver meu perfil completo

Que acessa este blogo no mundo

Orlando Orfei

Orlando Orfei
Vida e obra do grande mestre dos Circos

Ria Som

Ria Som
Serviços de Som, Luz & Vídeo.

Carros de som

Carros de som
Fábrica de carros de som.

Campanha Eleitoral Virtal

Campanha Eleitoral Virtal
Logistica de uma campanha eleitoral, pela Internet

CIMPRO

CIMPRO
Seu futuro inovador

APAE - Nova Iguaçu

APAE - Nova Iguaçu

Revista do Circo

Revista do Circo
Uma coletânea de contos de Orfei e fotos.Tinha a finalidade de ser ao mesmo tempo, o folhetim, o release e o poster do palhaços para as crianças.

Inscreva-se no meu blog.

Postagens
Atom
Postagens
Comentários
Atom
Comentários

Participação no DHITT

Arquivo do blog

  • ▼  2026 (11)
    • ▼  julho (1)
      • ▼  jul. 23 (1)
        • Biografia de Marcos Frota a partir da novela camba...
    • ►  maio (2)
      • ►  mai. 17 (1)
      • ►  mai. 12 (1)
    • ►  março (2)
      • ►  mar. 16 (2)
    • ►  fevereiro (2)
      • ►  fev. 10 (1)
      • ►  fev. 04 (1)
    • ►  janeiro (4)
      • ►  jan. 31 (1)
      • ►  jan. 23 (1)
      • ►  jan. 19 (1)
      • ►  jan. 14 (1)
  • ►  2025 (14)
    • ►  outubro (1)
      • ►  out. 07 (1)
    • ►  setembro (3)
      • ►  set. 23 (1)
      • ►  set. 11 (1)
      • ►  set. 08 (1)
    • ►  agosto (6)
      • ►  ago. 29 (2)
      • ►  ago. 27 (1)
      • ►  ago. 25 (1)
      • ►  ago. 24 (1)
      • ►  ago. 23 (1)
    • ►  julho (1)
      • ►  jul. 12 (1)
    • ►  abril (1)
      • ►  abr. 06 (1)
    • ►  fevereiro (2)
      • ►  fev. 13 (2)
  • ►  2024 (4)
    • ►  outubro (1)
      • ►  out. 31 (1)
    • ►  agosto (2)
      • ►  ago. 20 (1)
      • ►  ago. 19 (1)
    • ►  janeiro (1)
      • ►  jan. 01 (1)
  • ►  2023 (5)
    • ►  dezembro (2)
      • ►  dez. 29 (1)
      • ►  dez. 08 (1)
    • ►  outubro (2)
      • ►  out. 31 (1)
      • ►  out. 17 (1)
    • ►  agosto (1)
      • ►  ago. 19 (1)
  • ►  2022 (1)
    • ►  março (1)
      • ►  mar. 23 (1)
  • ►  2021 (2)
    • ►  julho (1)
      • ►  jul. 31 (1)
    • ►  maio (1)
      • ►  mai. 04 (1)
  • ►  2020 (1)
    • ►  dezembro (1)
      • ►  dez. 24 (1)
  • ►  2019 (2)
    • ►  maio (2)
      • ►  mai. 28 (1)
      • ►  mai. 27 (1)
  • ►  2018 (8)
    • ►  novembro (2)
      • ►  nov. 15 (1)
      • ►  nov. 13 (1)
    • ►  agosto (4)
      • ►  ago. 28 (1)
      • ►  ago. 26 (1)
      • ►  ago. 23 (1)
      • ►  ago. 18 (1)
    • ►  maio (2)
      • ►  mai. 22 (1)
      • ►  mai. 12 (1)
  • ►  2017 (3)
    • ►  outubro (2)
      • ►  out. 28 (1)
      • ►  out. 08 (1)
    • ►  março (1)
      • ►  mar. 19 (1)
  • ►  2016 (1)
    • ►  maio (1)
      • ►  mai. 15 (1)
  • ►  2015 (6)
    • ►  março (1)
      • ►  mar. 24 (1)
    • ►  fevereiro (2)
      • ►  fev. 15 (1)
      • ►  fev. 08 (1)
    • ►  janeiro (3)
      • ►  jan. 30 (1)
      • ►  jan. 26 (2)
  • ►  2014 (8)
    • ►  dezembro (1)
      • ►  dez. 22 (1)
    • ►  maio (1)
      • ►  mai. 14 (1)
    • ►  março (3)
      • ►  mar. 17 (1)
      • ►  mar. 16 (1)
      • ►  mar. 04 (1)
    • ►  fevereiro (2)
      • ►  fev. 22 (1)
      • ►  fev. 20 (1)
    • ►  janeiro (1)
      • ►  jan. 05 (1)
  • ►  2013 (12)
    • ►  agosto (1)
      • ►  ago. 22 (1)
    • ►  junho (1)
      • ►  jun. 02 (1)
    • ►  maio (4)
      • ►  mai. 29 (1)
      • ►  mai. 19 (1)
      • ►  mai. 12 (1)
      • ►  mai. 05 (1)
    • ►  março (1)
      • ►  mar. 09 (1)
    • ►  fevereiro (5)
      • ►  fev. 17 (1)
      • ►  fev. 01 (4)
  • ►  2012 (22)
    • ►  novembro (1)
      • ►  nov. 30 (1)
    • ►  outubro (2)
      • ►  out. 22 (1)
      • ►  out. 10 (1)
    • ►  junho (1)
      • ►  jun. 19 (1)
    • ►  maio (5)
      • ►  mai. 15 (1)
      • ►  mai. 11 (1)
      • ►  mai. 10 (1)
      • ►  mai. 04 (1)
      • ►  mai. 03 (1)
    • ►  abril (10)
      • ►  abr. 27 (4)
      • ►  abr. 23 (3)
      • ►  abr. 22 (2)
      • ►  abr. 06 (1)
    • ►  fevereiro (1)
      • ►  fev. 03 (1)
    • ►  janeiro (2)
      • ►  jan. 20 (1)
      • ►  jan. 19 (1)
  • ►  2011 (12)
    • ►  outubro (3)
      • ►  out. 20 (2)
      • ►  out. 02 (1)
    • ►  setembro (2)
      • ►  set. 30 (1)
      • ►  set. 29 (1)
    • ►  agosto (1)
      • ►  ago. 02 (1)
    • ►  maio (1)
      • ►  mai. 29 (1)
    • ►  março (3)
      • ►  mar. 14 (1)
      • ►  mar. 13 (1)
      • ►  mar. 12 (1)
    • ►  fevereiro (1)
      • ►  fev. 10 (1)
    • ►  janeiro (1)
      • ►  jan. 08 (1)
  • ►  2010 (10)
    • ►  dezembro (1)
      • ►  dez. 08 (1)
    • ►  setembro (1)
      • ►  set. 26 (1)
    • ►  junho (1)
      • ►  jun. 11 (1)
    • ►  maio (1)
      • ►  mai. 07 (1)
    • ►  abril (3)
      • ►  abr. 28 (1)
      • ►  abr. 16 (1)
      • ►  abr. 03 (1)
    • ►  fevereiro (2)
      • ►  fev. 25 (1)
      • ►  fev. 15 (1)
    • ►  janeiro (1)
      • ►  jan. 09 (1)
  • ►  2009 (14)
    • ►  dezembro (1)
      • ►  dez. 17 (1)
    • ►  novembro (1)
      • ►  nov. 05 (1)
    • ►  outubro (2)
      • ►  out. 25 (1)
      • ►  out. 15 (1)
    • ►  abril (2)
      • ►  abr. 25 (1)
      • ►  abr. 24 (1)
    • ►  março (3)
      • ►  mar. 21 (1)
      • ►  mar. 17 (1)
      • ►  mar. 01 (1)
    • ►  fevereiro (2)
      • ►  fev. 28 (1)
      • ►  fev. 06 (1)
    • ►  janeiro (3)
      • ►  jan. 20 (1)
      • ►  jan. 17 (2)
  • ►  2008 (3)
    • ►  dezembro (2)
      • ►  dez. 09 (1)
      • ►  dez. 02 (1)
    • ►  outubro (1)
      • ►  out. 11 (1)

AdSense for Feeds

Carregando...

Seguidores

BLOGS AMIGOS

  • BLOG DO EDUARDO GONÇALVES: Eduardo Gonçalves
    Ilegal ou Imoral?
    Há 14 anos
  • DEFESA CIVIL NI 199
    Páscoa da APAE de Nova Iguaçu foi um sucesso
    Há 16 anos
  • :: JORNAL DE HOJE :: O Diário da Baixada
  • Academia Brasileira de Circo
Tema Simples. Tecnologia do Blogger.